Hoje celebramos o Dia Internacional da Mulher!

Há pessoas que não gostam de dias “especiais”, que acham que celebramos algo que devia ser celebrado todos os dias. Compreendo perfeitamente este ponto de vista. Contudo, em minha opinião celebrar de forma especial a mulher, a criança, o pai, a mãe, etc., é uma forma de mais conscientemente apreciarmos aquilo que é importante todos os dias. Por isso, eu gosto destes dias especiais. Feliz Dia Internacional da Mulher!

Este ano decidi celebrar este dia não apenas hoje mas sim durante toda a semana, com ajuda de várias mulheres inspiradoras. Se quiser saber mais sobre como assinalei este dia, visite a nossa página no Facebook.

 

Porque é que se começou a celebrar o Dia Internacional da Mulher?

O Dia Internacional da Mulher começou a ser celebrado no início do século XX. Segundo a Wikipédia, a ideia surgiu como forma de chamar a atenção para a luta das mulheres por melhores condições de vida e de trabalho, bem como pelo direito ao voto. Este dia começou a ser celebrado em 1909 mas não nesta data. Dependendo do país, o Dia Internacional da Mulher era celebrado entre o mês de Fevereiro e o mês de Março. Em 1917 ocorreram na Rússia manifestações pelos direitos das mulheres trabalhadoras, que foram brutalmente reprimidos. A data da principal manifestação foi no dia 8 de Março de 1917 e este dia tornou-se o Dia Internacional da Mulher, de acordo com o estipulado pelo pelo movimento internacional socialista.

No Ocidente esta data foi celebrada nas décadas de 1910 e 1920, tendo depois caído no esquecimento. A partir de 1960 a data foi recuperada pelo movimento feminista.

O ano de 1975 foi designado Ano Internacional da Mulher pela ONU e o dia 8 de Março foi adoptado como Dia Internacional da Mulher a partir dessa altura. A ONU continua a dar atenção a este dia. Este ano o tema é “Time is Now: Rural and urban activists transforming Women’s lives”.

 

Faz sentido continuar a celebrar o Dia Internacional da Mulher?

É indiscutível que houve uma evolução positiva nos direitos das mulheres, apesar de tal não ter acontecido da mesma forma e com a mesma profundidade em todos os países.

É importante lembrar que em Portugal, por exemplo, só em 1974 o direito de voto se tornou universal. Pessoalmente eu escolho honrar todas as mulheres que me precederam, em todos os países do mundo, e que lutaram para que as mulheres tivessem o direito de votar – eu vou votar sempre! E sensibilizo os meus filhos para a importância de ir votar – é um direito e um dever.

Em 1976 a Constituição Portuguesa consagra a igualdade de género em todos os domínios – isto foi há apenas 42 anos. Os cônjuges passaram a gozar dos mesmos direitos 2 anos depois, em 1978.

Em 1979 tivemos a primeira – e única – mulher Primeiro-Ministro. Desde 2006 a nossa lei consagra um sistema de quotas mínimas (33%) para assegurar que as listas concorrentes às eleições incluam um maior número de mulheres.

Em 1998 realizou-se o primeiro referendo à despenalização do aborto, em que o Não venceu. As mulheres portuguesas tiveram que esperar pelo segundo referendo, que ocorreu em 2007 e em que o Sim ganhou, para obterem o direito de decidir o que fazer com o seu corpo no caso de uma gravidez.

Por aqui claramente se conclui que faz sentido continuar a celebrar esta data e trazer à consciência colectiva os direitos das mulheres. Mas há mais razões…

O foco da discussão centra-se agora na igualdade de oportunidades e de remunerações – ainda há desigualdade de salários em casos em que homens e mulheres executam as mesmas tarefas.

Ser mulher em Portugal ainda assim é muito bom. Há um artigo de ontem no Expresso, onde esta questão é discutida ao pormenor. Aconselho vivamente a sua leitura. Vou referir apenas alguns exemplos presentes nesse artigo.

Em Março de 2017, um deputado disse no Parlamento Europeu: “As mulheres são mais fracas, mais pequenas e menos inteligentes” do que os homens e por isso “devem ganhar menos”. No ano passado uma mulher foi condenada a 30 anos de prisão em El Salvador por sofrer um aborto espontâneo por não ter procurado ajuda aquando das primeiras contrações. Esta gravidez tinha resultado de uma violação e o homem que a violou não foi condenado. Em Outubro de 2017 num acórdão proferido pelo Tribunal da Relação do Porto lê-se “O adultério da mulher é um atentado à honra do homem” e com isso se justifica a violência doméstica que o marido exercia na mulher.

A verdade é que apesar de todo o progresso, os padrões continuam a ser diferentes para homens e mulheres. Em Outubro do ano passado, uma mulher é eleita Primeiro-Ministro da Nova Zelândia e logo uma pergunta é repetida pela imprensa e pelos seus pares: ‘vai ser capaz de desempenhar as suas funções e ser mãe?’ – sejamos sinceros, quantas vezes é feita a pergunta ‘vai ser capaz de desempenhar as suas funções e ser pai?’ quando um homem é eleito?

Já repararam que quando os actores são entrevistados as perguntas centram-se no papel que desempenham numa série ou num filme mas quando as actrizes são entrevistadas as perguntas centram-se na roupa, sapatos e jóias que estão a usar ou no facto de determinado projecto as ter afastado da família durante muito tempo? Basta verem as festas dos Óscares e as entrevistas na red carpet

 

Mulheres… esses seres inspiradores!

Considero-me uma pessoa sortuda por ter na minha vida tantas mulheres inspiradoras. Algumas que nem sequer conheci.

A minha avó materna, por exemplo, é uma inspiração para toda a família – mesmo aqueles, como eu, que não chegaram a conhecê-la. A minha avó Amélia criou 6 filhos sozinha – as mais novas tinham 2 e 4 anos quando a minha avó teve de cuidar de toda a família sozinha.

A minha avó tinha apenas 58 anos quando faleceu. Apesar de todas as dificuldades, a minha avó criou os filhos com muito amor e ensinou-os a respeitarem-se e valorizarem-se. Era um exemplo de força e empatia – duas qualidades por vezes difíceis de equilibrar. Mesmo tendo de fazer face a muitos desafios e dificuldades, nunca baixou os braços e não deixou que a amargura tomasse conta da sua vida. Pelo contrário, encorajava os filhos a lutar e acreditar que podiam ter uma vida melhor. Quando me encontro perante desafios, lembro-me da minha avó Amélia e encontro força na sua coragem. Sei que descendo de uma linhagem de mulheres guerreiras e confio nessa ancestralidade para me ajudar a seguir em frente.

Felizmente a minha avó não é a única mulher inspiradora na minha vida. Tenho muitas amigas, familiares e conhecidas que me inspiram dia a dia.

E depois há outras mulheres que não conheço pessoalmente mas que sigo online e admiro e que actuam como mentoras na minha área profissional.

Não podemos também esquecer as mulheres que se destacam em várias áreas, como na música ou no cinema. Na verdade, se estivermos atentos o mundo está cheio de exemplos de mulheres inspiradoras – do passado e do presente.

 

Citação de Carrie Fisher

Mulheres inspiradoras e empreendedoras

As mulheres empreendedoras estão e vão continuar a dominar o mundo. A internet cria oportunidades como nunca existiram antes. Há um número crescente de mulheres que escolhem viver “the laptop life”, ou seja, optam por ficar em casa com os filhos, sem abdicar de trabalhar; tornam-se empreendedoras, gerindo o seu negócio online a partir do seu portátil, ao mesmo tempo que tomam conta dos filhos. Falem-me de combinar o melhor de dois mundos, certo?

Há também uma série de mulheres que se tornam referência nas respectivas áreas. Estas mulheres abrem caminho para que cada vez mais e mais mulheres sigam a sua missão e inspirem o mundo! Deixo aqui um vídeo com alguns exemplos:

 

 

Acredito profundamente que a energia que pomos no mundo tem impacto nas outras pessoas, quer as que conhecemos quer as que não conhecemos. Quando escolhemos viver a nossa verdade, respeitar a nossa essência e dar a ouvir a nossa voz, não só estamos a construir o nosso caminho mas também estamos a abrir caminho a que outras mulheres (e homens) façam o mesmo. E o mundo precisa desesperadamente da contribuição e do talento de cada um de nós.

 

Pronta para trazer ao mundo o seu talento? Contacte-me